segunda-feira, agosto 2

Coisas que não entendo

Quando era adolescente era daquele tipo de pessoa que acreditava que ter um amigo era como ter alguém da nossa própria família. Alguém em quem podíamos confiar um segredo, partilhar uma tristeza e que nunca nos iria trair ou decepcionar. Como devem calcular muitos o fizeram. Nunca passei por situações dramáticas, verificava apenas que o que lhes confidenciava era partilhado e comentado por outras pessoas.

Com o acumular de situações idênticas fui acreditando que não existiam amigos verdadeiros na sua plenitude. E ainda hoje acredito nisso. As melhores pessoas comentam a vida, a personalidade e as atitudes do seu melhor amigo, com quem saem e convivem regularmente. E até considero que possa não ser com intenções duvidosas, mas o ser humano quando não tem mais nada que fazer fala dos outros.

O tempo foi passando e eu fui seleccionando as pessoas com quem partilhava a minha vida diária. Há uns anos atrás conheci um casal de amigos que se tornaram muito especiais. Eram amigos de convívio diário, para tomar café, para fazer exercício físico, para frequentarmos a casa de cada um. Eram os amigos de eleição para passar férias que eram sempre muito divertidas, as festas e comemorações diversas ao longo do ano. Eram aquelas pessoas com quem convivia mais do que qualquer outra pessoa na minha vida, incluindo a família.

Apesar disto eu continuava a considerar que não existiam amizades verdadeiras mas que os amigos se juntavam para passar bons momentos. Nos maus momentos preferia sempre o apoio da família. Hoje posso dizer que apesar de dizer isto e de parecer muito fria e distante dos outros sofri das maiores decepções que me recordo.
O meu “amigo” que era um peste, que tanto discutia comigo e eu com ele por incompatibilidades de personalidade e de opiniões, mas que depois tudo se resolvia, teve um comportamento inadequado, ofensivo e demonstrou que após tantos anos de convivência não faz a mínima ideia de quem eu sou. Aproveitou uma oportunidade em que estava sozinha para me dizer que não olha para mim como uma amiga mas como algo mais. A forma como o fez foi ordinária, não tem outra qualificação, e foi isso que mais me magoou. Fico a pensar o que o terá levado a achar que iria aceitar semelhante proposta.
Não sou melhor nem pior do que ninguém, também faço muitas coisas erradas, cometo muitos erros dos quais também me arrependo. Todos estes anos lhe dizia que as mulheres não são todas iguais, tenho muita pena que lhe tenha provado esta minha teoria da maneira mais triste.

5 comentários:

Aline V. disse...

Poxa...

Estou pensativa com seu texto agora...
Tenho apenas amigos contados nos dedos em quem confio realmente exatamente por já ter me decepcionado diversas vezes com algumas pessoas, mas ainda acredito na amizade verdadeira.
Quanto a esse seu amigo que deu em cima de vc, não acredito que exista amizade entre homem e mulher sem intenção, pelo sem uma intenção inicial... infelizmente...

Rosana disse...

nossa que situação hein amiga!
nem sei o que pensar.
beijoO

Uma Pulga em desesperO disse...

Putz, que merda! Eu tbm sou da mesma opinião. Não confio plenamente, não adianta.
Adorei aqui. Vou voltar.

Bju

ludmilla disse...

poxa que triste ... eu escolho meus amigos a dedo mais ainda assim tenho medo do que pondo uma grande espectativa em alguem acabe me machucando ou pior me decepcionando ...bjaummm

Mirian Brandão disse...

é muito difícil essa situação. amei, to seguindo ;*
beijo, me segue também.
http://mirianbrandaoaoavesso.blogspot.com/

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